Agrupamento 1343 - Santana da Carnota - Corpo Nacional de Escutas
Estávamos no ano da graça de 2007, 100 anos depois de Baden Powell ter realizado o 1º acampamento
em Brownsea, quando, no final de uma reunião de animadores da Páscoa Jovem, o Sr. Pe Rui Pedro Trigo
de Carvalho, lançou um desafio a 4 amigos: Luís Pintas, Marta Jorge, Luís Miguel Sousa e Ana Mesquita: “o
que acham de fundarmos um agrupamento de escuteiros em Santana da Carnota?”. Os olhos brilharam.
Mas era um desafio enorme. Conseguiríamos reunir todas as condições para concretizar o desafio? Já era
tarde. Tínhamos terminado a reunião de preparação da Páscoa Jovem perto da meia-noite e
meia…voltamos a sentar-nos. Os olhos continuavam a brilhar e, à medida que a conversa avançava, o
coração também começou a bater mais forte. Vamos isto!
Lançamos o convite a mais 2 amigos: a Elsa Brilha e o Luís Gomes. A resposta surgiu logo na própria hora.
O número de olhos a brilhar ia aumentando.
O convite foi também lançado à Sara Coelho e à Carina Padeiro. Como eram mais novas, ainda tiveram o
privilégio de fazer caminheirismo.
Embora Santana da Carnota seja uma pequena aldeia, foi efectuada uma análise de todo o contexto
envolvente, para ver se o sonho poderia nascer. E sim. As condições estavam reunidas.
Desde início que este projecto, para cada pessoa envolvida, foi encarado como um desafio de Deus.
Trazíamos na mochila alguma experiencia enquanto animadores de grupos de jovens, catequistas.
Tínhamos na equipa professores e educadores. Apenas a Marta tinha sido escuteira. Realizou o seu
percurso de lobita, exploradora, Pioneira e caminheira no Agrupamento 272 de Sobral de Monte Agraço.
Como o Pe Rui Pedro também era pároco de Arranhó e assistente no Agrupamento 1280, e nós já
conhecíamos e estávamos habituados a trabalhar em conjunto com uma grande parte dos dirigentes do
1280, foi feita a proposta de este ser o nosso agrupamento monitor. Assim foi. Receberam-nos de braços
abertos e, durante 2 anos partilharam connosco toda a vivência escutista. A eles ficaremos eternamente
gratos. No segundo ano em Arranhó, fizemos o convite a mais alguns amigos: Fátima Tinoco, Pedro
Henriques, Pedro Parafuso, Nelson Jorge e Marta Padeiro, que se juntaram com alegria ao grupo.
Em agosto de 2009, durante as festas em honra de Santa Ana, chegara finalmente a hora de abrirmos
inscrições para o nosso agrupamento. Foi feita a divulgação com bastante tempo de antecedência. Tudo
estava preparado. A seguir à procissão, lá estávamos nós, entusiasmadíssimos na nossa banca escutista
para receber todas as inscrições. Mas… (sim, há sempre um “mas”) nos minutos iniciais, não surgiu
ninguém. Pensamos nós: “calma, está tudo a divertir-se na festa… foram lanchar, já vêm”. Mas
continuamos no vazio. Olhamos uns para os outros e umas nuvens escuras pairaram sobre o nosso
pensamento. Sentamo-nos. Eis se não quando… “Chefe, aqui estou. Quero inscrever-me”. “Chefe, é aqui
que me posso inscrever?”. “Chefe, quero entrar nos escuteiros”. Um após um, foram chegando os nossos
escuteiros. Houve lágrimas. Lágrimas de uma alegria enorme. Tínhamos família!
Desde então dizemos, cantando, no nosso Hino: “Este é o desafio que Deus nos fez, ser 1343, ser 1343”.
